quarta-feira, 9 de junho de 2010

O DIA dos Namorados...



Ahhhh, o amor!

Dia dos namorados chegando. Dia de casados, noivos, namorados, ficantes, enrolados, ficarem juntinhos, de trocarem presentes, de se declararem, dia de abrir o coração dos inibidos, dia de festejar, compartilhar, amar e ser amado. De poder sentir-se um eterno adolescente apaixonado, querendo ter nos braços aquela garota que tanto desejou, ou aquele garoto simpático, que tanto cobiçavam... essa pessoa que hoje, está ao seu lado! Aquela mesma que te deu todo encanto, que te fez sentir frio na barriga, a pessoa que você ama. Você a valoriza o quanto ela merece? Ou já não é mais como antes, e por isso, vocês se destratam muitas vezes? Cuidado, a vida não é um mar de rosas, porém não tem necessidade de virar um Rio Tietê. Temos que aprender a dar o nosso melhor quando encontramos a pessoa que amamos, que nos faz bem, que nos encanta, que nos faz sonhar e planejar com uma vida a dois. Essa pessoa que sabe te fazer rir e também encara a vida de maneira séria. Uma pessoa que não consegue te tirar risos, te fazer surpresas, te defender como a si próprio, te amar sem medidas, não será a pessoa que terá forças, alicerce para erguer uma família ao seu lado. Atrás de um grande homem, sempre tem uma grande mulher.

Hoje em dia a palavra AMOR ficou tão vulgarizada, que vejo casais trocando olhares, conversando 5 palavras, beijando [ vulgo se conhecendo ] e nem entro em detalhes em alguns casos que esse beijo é prolongadoooo pela noite. No outro dia cedo, envia-se mensagem ao outro de " Te amo, estou com saudades." Ama ? Saudades ? Mas nem deu tempo de você conhecer os vícios e virtudes, as manias, o pensamento, as ações, atitudes dessa pessoa que você conheceu a 12 horas atrás! Eu nunca fui a favor do beijar por beijar. Careta? Não. Seletiva. Eu não sou obrigada a querer beijar toda vez que eu sair e aparecer um rapaz bonito interessado. Mas infelismente, conheço muitos casos de pessoas que já saem de casa, decididos a " caçar ". Eu não consigo entender qual a graça de beijar um homem perfeito em beleza, e oco de mente.

Eu não tenho dúvidas de que vivo na época errada. Já aceitei isso. Acredito e quero estar viva para ver homens e mulheres como a maioria era na década de 60, a auto-valorização do ser, todas mulheres de vestidinho, por menos dinheiro que tivesse, sabia ter bons modos. Os homens de social ao trabalhar, com receio de chegar para conversar, e quando criavam coragem, iam com uma flor, um bilhetinho, um poema. Melancólico isso ? Ok. Mas é meu direito querer ver um pouco disso novamente, pensando agora num mundo melhor para meus filhos e netos. Esses dias, passei pela calçada no centro da cidade, e ao meu lado, me ultrapassou, com passos largos uma moça, muito bonita, bem vestida, mas nada vulgar. Parados em frente a uma loja, ao ver ela passar, dois homens soltaram a pérola: " Hummm, que cachorra". Preciso comentar o que eu achei disso? Inenarrável a tristeza de ver o andar da carruagem, quer dizer, o andar dessa abóbora, quer dizer dessa paçoca que o mundo está virando. As músicas sem censura alguma, nada seletivas aos meus ouvidos. O que nos resta, é expressar as boas maneiras, um viva as gentilezas, as surpresinhas simples, a espontanidade, a paixão, a emoção, a fidelidade e ao sentimento verdadeiro.

Eu sempre gostei de surpresas, gestos, demonstrações de afeto. Porém, nem por isso, eu me apaixonaria por alguém que me trouxer uma rosa. O sentimento vem de dentro pra fora. Não mandamos no coração, por isso temos que ouvir os sussurros que ele nos passa. Fica sempre um pouco de perfume nas mãos de quem oferece rosas, quem tem boas intenções, purifica a própria alma. Tenho meus sonhos e planos comigo, não preciso sair espalhando-os a ninguém, pois como dizem " não grite alto sua felicidade, a inveja tem sono leve". A mensagem que quero deixar as mulheres é que aprendam a se valorizar, a não viver caindo em conto do vigário. E aos homens, que busquem a peça certa do quebra-cabeça. Como irá encontrar? Seu coração dirá. Analise suas atitudes e veja se condiz com o que procura, e seja feliz agindo da maneira que gostaria que agissem com você. Abaixo, um poeminha de Fernando Pessoa, lembrei dele essa semana.

O AMOR, quando se revela,

Não se sabe revelar.

Sabe bem olhar p'ra ela,

Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente

Não sabe o que há-de dizer.

Fala: parece que mente...

Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,

Se pudesse ouvir o olhar,

E se um olhar lhe bastasse

P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;

Quem quer dizer quanto sente

Fica sem alma nem fala,

Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe,

O que não lhe ouso contar,

Já não terei que falar-lhe

Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa


O Mundo dá voltas, e põe tudo no lugar !

Hoje estou feliz,
De bem com meu coração.
Que outrora batia
Com sutil decepção.

Amo com fervor,
Amarei com a alma feliz,
Alguém que me dá amor,
E que estava na ponta do meu nariz.

Dizem que na vida,
Só se ama uma vez.
Ah! Sendo assim, fico tranquila
E depois conto tudo a vocês.

FELIZ DIA DOS NAMORADOS !

Beijo na ponta do nariz!

Ana Laura M. Sanchez

terça-feira, 1 de junho de 2010

Festa Junina ...

Chegamos em Junho ! Adoro este mês. Significa que estamos em época comemorativa de nossa cultura: Festa Junina ! Desde pequena, essas festas me traziam muita alegria. O friozinho, o quentão, a maçã do amor, a pipoca, os ensaios da quadrilha, roupinhas enfeitadas, bandeirinhas... o ar era diferente! No meu caso que nasci em meio a maior metrópole da américa latina, me sentia uma mocinha do interior, não uma paulista.
Aos 7 anos, eu frequentava a 1º série, em uma escola na Vila Jaguara. Eu sempre adorei aquela escola, era tão grande, cheia de "esconderijos", escadas, quadras, enfim, dava pra brincar bastante. Foi lá, minha primeira dança de quadrilha.

Estes ensaios estão ligados em minha mente assim como o peixe está pela água.
No primeiro ensaio, cada um escolheu seu par, eu morria de vergonha de tudo e de todos, sendo assim, fiquei totalmente-muda-e-paralisada nesta escolha, no canto da quadra. Nisso, foram formados os parzinhos, menininhos com menininhas, como tem que ser. Sobraram 3 menininhas, comigo eram 4. Obviamente que a professora decidiu fazer 2 pares de menininhas, pra minha profunda tristeza! Como criança, eu não tinha poder de decisão e de protestar nada naquela hora, então decidi deixar estar.

Fui para casa, contei a minha mãe do desastre de não ter tido um parzinho, e ela para me consolar disse: -" Filha, isso é só um ensaio ! Claro que você não vai dançar com menina ! "
Isso me tranquilizou mais, e o próximo ensaio chegou. A Kely, minha companheira estava feliz em dançar no ensaio comigo, ela aceitava de boa a posição de ser menino durante a dança. Na hora da cobra, em que tinha que me segurar no colo, na hora em que o menino se ajoelha para tirar o chapéu, e assim foi. O tempo foi passando, e nada da professora colocar um menino no lugar da Kely. Chegou a semana de apresentação, últimos ensaios ! Que alegria [angustiante ] que eu estava... até que a sacana da Kely, no penúltimo ensaio me diz:
- " Eu fui menino nos ensaios, mas no dia da dança você que vai ser menino."
- " Heeei, como assim? Eu não vou ser o menino!"
- " Vai sim, e se não quiser, o Rodrigo disse que dança comigo, ou você dança de menino ou fica fora da quadrilha."
- " Grrrrrrr ! Te odeio Kely !"

Ela foi tão maquiavélica nessa atitude, me entristeceu tanto, pois quando criança quer ser ruim, você já descobre de cara, e ela não, ela foi fria e calculista por longos 2 meses. Que infortúnio! Enfim, triste e choramingando, fui com minha mãe comprar o vestidinho, porque mesmo de homem, eu não iria querer colocar calças e bigode. Chegando na loja, que ficava ali na vila onde eu morava, uma senhora de lentes grossas e cabelo curtinho loiro nos atendeu, mostrou os vestidos, e minha mãe perguntou do chapéu de trancinha, ela sorriu, e disse baixinho à minha mãe:
-" Mas se ela vai ser homem na quadrilha, já está trajada com vestido, o chapéu não seria melhor sem trancinha? Tem que ficar menos feminina... "
- "GGggrrrr hhhmfff.... Maaanhêê vamos emboraa .... mmm buuááá !"
Sai chorando da loja, fomos pra casa. Eu vi pendurada na sacola que minha mãe carregava, uma trancinha. Adivinhe? Sim, mãe é mãe. Ela comprou o chapéu de trancinha e meu vestidinho
Passei a ir cabisbaixa às aulas, e faltando poucos dias para apresentação, a diretora entrou na sala de aula, dizendo:
-"Pessoal da Quadrilha, último ensaio! Aguardo vocês na quadra em 15 minutos!"

Eu nem me mexi. Todos eufóricos, correram para quadra e a professora estranhou minha presença na sala, mas preferiu não me incomodar, estava escrito na minha testa, em letras garrafais: " Não se aproxime ". Eu estava disposta a faltar no dia da festa, mas minha mãe claro que não deixou (ainda bem!).
Chegou o grande dia. Eu emburrada, visivelmente baixo astral, mas ali presente na festa Junina com meu vestido laranja de florzinha e meu chapeu de trancinha, ahhh como eu goste dele, me devolveu minha feminilidade que a senhora da lojinha havia me tomado. Bom, fui nas barracas, comi algodão doce, mas estava com o estômago revirado e revoltada: Era muito querer ser menina na dança? Mas, desde então, passei a enxergar que NA VIDA, NADA É POR ACASO. Foram anunciando para quem iria dançar quadrilha, se aproximar da quadra, de longe avistei a Kely, toda sorridente e feminina em seu vestidinho. Eu me aproximei e a diretora disse:
-" Vocês duas... estão de vestido! Não podem dançar juntas!"- E,a kely retrucou:
-" Ela tá de vestido, mas é homem! "
-" Eu sei Kely, porém as meninas que eram homem no ensaio, tinham que vir trajadas de homem. Tem outras coleguinhas de vocês que faltaram, então, você fique aqui, e Ana Laura, vem comigo."

Nem preciso descrever a cara de ódio da Kely, né? A diretora me colocou na fila, em meio aos casais formados, e lá estava eu, ao lado dele, sozinho... RODRIGO! Irônico não? Eu não achava nada demais nesse menino. Aliás em nenhum menino, eu queria somente dançar como um casal, e na minha vida real, continuar a brincar com minhas bonecas, bambolês, & cia. O Rodrigo era um menino nerd, mas bacana (não que os nerds não sejam bacanas, quer dizer, bom, deixa pra lá) tropeçou várias vezes, mas deu tudo certo! Tudo foi uma lição, de nada adiantou a ação calculista da Kely, pois voltou contra ela mesma, que terminou dançando com um menino de 6 anos (um quebra-galho que nem havia ensaiado).
Por fim, demos boas gargalhadas com essa história: Eu, a Kely e o Rodrigo anos e anos após essa Grande Quadrilha.


Desta história cômica e verídica, aprendi:

  1. Que nada é por acaso. Tenha fé e acredite sempre.
  2. Não adianta você realizar planos malígnos, pois quem te condena é sua consciência.
  3. Nunca desista de seus sonhos. Não devemos agir de má fé com o próximo.
  4. Somos humanos, erramos, mas devemos analisar porque erramos.
  5. Não devemos ter obscuro nosso lado bom, e sim fazer o bem, desejar para os outros o que queríamos a nós.
    Que cada pessoa que passa por nós deixa um pouco de si, e leva um pouco de nós. Seja um bom exemplo, para sua própria elevação espiritual e para transmitir o bem.



Curtam o Arraiá que a festa vai começá, sô !

Ana Laura M. Sanchez

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Relacionamentos...

Relacionamento é mesmo uma Arte.
Se você não gosta o suficiente da pessoa, podem construir os sonhos que forem, não terá alicerce para prosseguir. Encontre quem te escute, quem te aconselhe, quem te puxe as orelhas, quem te faça rir, quem você faça rir, encontre quem brilha os olhos na sua presença. Quem você sente falta quando está longe. Quem você sente o calor do abraço, o doce gosto do beijo. Seja tolerante, não exija demais, exija o necessário.

Como citou Arnaldo: Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
A felicidade é transcedental, é uma busca infinita, você nasce, cresce, envelhece, querendo ser feliz. Mas a felicidade está no Viver propriamente dito ! No ver amigos casarem, filhos nascerem, conquistar seu lugar ao sol, ter o que é seu, viajar, mesmo que seja na cidadezinha pertinho da sua, a felicidade ESTÁ EM TUDO ! Agradeça a Deus e lembre-se... muitos gostariam de enxergar o por-do-sol, e nunca o farão. Muitos gostariam de andar, algo tão simples pra nós, e não conseguem realizar. O que é um sonho pra uns, é comum a nós. Por isso, valorize sua vida, valorize sua família, valorize quem te ama. Passo a palavra a ele, Arnaldo Jabor.



R E L A C I O N A M E N T O S

(Arnaldo Jabor)



Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo,como cobrar cem por cento do outro?
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso,mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada,mas não é sensível.
Tudo, nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém,pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante. E se o beijo bate, se joga... Se não bate... Mais um Martini por favor... E vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais,não force a barra..
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute,não ligue,não dê pití.
Se a pessoa ta com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos,mas se a pessoa REALMENTE gostar,ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso,não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua,seu olhar,seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só,na sua própria companhia?
Gostar dói.
Você muitas vezes vai ter raiva,ciúmes,ódio,frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser,um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo,corra,afinal,você não é terapeuta.
Se não quer se envolver,namore uma planta. É mais previsível.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.

Na vida e no amor, não temos garantias.



Mas... podemos criar garantias a nossos sentimentos.


Arnaldo Jabor, tirando palavras de mim.



Beijos !


Ana Laura M. Sanchez


sexta-feira, 21 de maio de 2010

NA ALEGRIA E NA TRISTEZA

Estive conversando sobre isso esses dias. O casamento é o ato divino, sublime, é a junção de um enlace onde se inicia os alicerces de nosso ser: A Família. Legal. No geral, pro casal, é uma alegria imensa (para noiva pela menos é, segundo Rafinha Bastos não é a toa que casa de branco, já o marido de preto). Enfim, mas e a festa ? fazer ou não fazer ? Eis a questão. Criei uma sátira de como é a logística do Casamento.

Como dizia o livro de PETER COWIE: Noivo neurótico, noiva nervosa.
Então muita caaalma nessa hora. Respire fundo, vamos lá. Primeiro [a noiva] se mata para correr atrás das mais variadas bugingangas e afins, e [o noivo]preocupado em iniciar as parcelas de: Buffet, decoração, vestido e terno, cabelo, maquiagem, sapato, roupa, fotos, o som, arranjos, filmagem, cores, o que combina com o que, os docinhos, os salgadinhos, o jantar, e mais 1.489 coisinhas na listinha de "Planejar". Tem também o setor burocrático de definir a dama de honra, que no caso, aparecem no mínimo 87 crianças incluindo: Filha da vizinha, filha da sua prima de 4º grau, filha de uma amiga que estudou com você há 5 anos atrás, etc. Depois as madrinhas e padrinhos, você escolhe com cautela, e mesmo assim, sempre vai ouvir " noossa, ela não me chamou".


Seguindo nessa linha de raciocínio, você vira A Insuportável. A chata. Só sabe falar de casamento. Suas colegas de serviço, não querem mais almoçar com você: inventam desculpas, apenas dão bom dia, sorrisinho, e vupt. Somem. Seus amigos e amigas não querem mais ir a happy hour, visivelmente não suportam mais você falando da duvida da cor do papel da lembrancinha dos noivos. Ou da dúvida de qual flor combinará mais nos arranjos da festa. Aí você pensa: "Mas como pode não se interessarem? É tão decisivo esse momento! Céus! ".

É, minha cara noiva, até certo ponto, você tem razão. É importante, é decisivo, vital pra você... porém aos ouvidos dos outros, é mais uma festa de casamento. Claro, tudo tem suas excessões! Para a alegria das noivas, tem anjos que as guiam nessa jornada, geralmente a mãe, a irmã, ou a melhor amiga. Essas nasceram com toda a paciência e saco ( invisível ) para te aguentar nesta hora.



Pois bem, nessa pressão, ela não pára um minuto.
Os seus horários de almoço, foram trocados por ir ao alfaiate, acertando todos os detalhes do glorioso vestido. Sai correndo do trabalho, e já se enfia na loja Noivas & Cia. Ahh ! Verdadeiro colírio para as noivas. Depois passa no Buffet, questiona os pratos, se pode trocar o Frango Xadrez por Bucatini com Salmão ou Canelone de hadoque, pois você ouviu de relance falar em um canal de tv (passando na frente das Casas Bahia, enquanto andava na calçada apressada) que é chique e sofisticado este prato em casamentos.
Ufa! Diante de todo esse turbilhão, mal vê o pretendente, o causador de todo motivo do evento, o homem que te levou a querer tudo isso, o mesmo que irá seguir o resto de sua vida ao seu lado. Consequentemente, é gerado então, a cobrança:

[Noivo]: Você não me dá atenção.
[Noiva]: Nossa, amor, egoísmo o seu, hein?
[Noivo]: Egoísmo? Sentir sua falta?
[Noiva]: Sim ! Estou me ma-tan-do para que tudo saia perfeito, e escuto uma dessas!

Ou seja: Essa é a hora que o noivo sente ciúmes da festa de casamento dele. É isso mesmo. Ciúmes do próprio casamento... doido isso, não? Porém, ela, além do papel de noiva, lembremos: ela é mulher. E, mulher sabe ser mil utilidades. Ela procura não o chatear com esses assuntos (mas quando vê, já falou sobre a dama de honra) e tenta dividir a atenção nessas horas, decidindo com ele, as programações, e achando minutos de lazer nesses contratempos. Ela tem o jogo de cintura e faz o que pode para seu amado não se sentir exluído da festa de casamento Dela, ops, deles.

E assim chega o grande dia!

Lá está ela. Se maquiando, colocando 792 grampos pra prender o véu, o vestido não veste tão bem como ela experimentou a 2 dias atrás. Ela passou o dia no salão, lá tomou café, almoçou, e um cafezinho da tarde, tudo isso intercalando enquanto faziam suas unhas, cabelo, maquiagem, vestindo o seu vestido com os 52 botões das costas. O esmalte nos dedos do pé direito, terminaram estragando, porque a noiva, anciosa em colocar logo o sapato, estragou. E lá vai a manicure refazer, com uma cara típica de quem poderia matá-la, se tivesse qualquer objeto pontiagudo por perto. Depois de lindas as unhas, ela coloca o sapato Scarpan Branco fechado, e nas mãos, luvas ( para os homens isso pode não parecer ter lógica, pintou, maior trabalho, pra ninguém ver? Mas ela cobre esses detalhes somente por algumas horas, ok? Vai por mim).
O noivo liga para a mãe da noiva, dizendo que o salão ainda está sendo preparado, tiveram um pequeno contratempo, ela... ficando tensa ao quadrado. Casam-se no religioso ! Quanta gente ! Ela sorri, ao lado do noivo, todo radiante na presença dela. E seguem para a festa! De dentro do carro, já podem analisar os convidados... Ela: "Olha querido, a sua prima, que você não vê a 9 anos veio na festa, com a sogra, que também trouxe a irmã, com os 4 filhos, casados".

E a partir daí, vão se aparecendo os absurdos. A Karen, mui amiga do noivo, aparece de vestido tão curto, quando justo, para o aborrecimento da noiva. O Sérgio, instrutor da academia onde a noiva frequenta, aparece também, pro descontentamento do noivo. As crianças correm. Correm. Correm muito. Nessa corrida, uma delas esbarra na mesa da "Ala-Classe-Alta" de convidados, no qual a taça de vinho está diretamente ligada ao vestido da convidada sofisticada. Humm.. apesar da banda animada, doces caprichados, pratos elaborados, decoração e fotos com luzes e brilhos, ela se levanta e vão-se embora. Vão se embora significa: considerando que haviam 200 convidados, com uma convidada insatisfeita em uma mesa, que contém 8 convidados, todos vão tomando as dores de insatisfação.

A noiva [agora esposa] cansada de sorrir, com os pés já doendo, quer ir curtir uma dança, vendo de longe seu noivo [agora marido], aproveitando com os amigos os momentos e feliz feliz da vida. Ela querendo aproveitar os petiscos, tem que receber os parabéns, tem que verificar se todas as mesas repletas de petiscos, se preocupa se todos estão satisfeitos, faz poses e poses e poses, e nesse meio tempo do jogo, o tio resmugão conversa em uma das mesas: " É, poderia ter feito mais cedo, achei tarde o casamento". Na outra mesa, os parentes distantes dizem: "Meio frio o jantar né?". Na sequência, o casal de namorados amigos do casal: " Boa a banda, mas poderiam ter chamado aquela que vimos outro dia no casamento da Fulana, seria mais legal."

Chega o fim da festa, todos se foram, e junto com eles, as lembrancinhas entregues, pedaços de bolo ( Fato Estatístico: Bolo de casamento é dividido em: 20% - convidados comem durante a festa, 70% - levam e comem em casa, 10% - é dividido entre os noivos, que recebem visita e sempre serram o bolo da geladeira.)

E, acreditem se quiser: Existem casos de noivas que tem "depressão pós-casamento". Elas caem na vida " real ", sem flores, sem docinhos, vestido de pedra, sem lá muito glamour e terminam por sentir falta disso tudo, da correria e planejamento que fizeram. Por isso, não leve a vida tão a sério, não perca a chance de ser feliz por pouca coisa, lembre-se que o real motivo disso tudo, é o amor que você sente pelo motivo de subir ao altar, ele estará do seu lado sempre. Às vezes não é tão necessário se "matar" por conta de festas de casamento. Tem que ser algo que traga o Bem Estar, e não Stress Star !

Beijos, me chame pro casamento !

Ana Laura M. Sanchez.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

PAULO LEMINSKI



Eu estava Leminskiando esta semana, e ousei escrever em homenagem à Paulo Leminski, considerado um dos maiores poetas brasileiros, que conseguiu (em uma encarnação..uuauuu) ser: escritor, poeta, tradutor e professor brasileiro, e até faixa-preta em judô.

Leminski sempre chamou a atenção por sua intelectualidade, cultura e genialidade.
Estava sempre à beira de uma explosão e assim produziu muito. É dono de uma extensa e relevante obra. Desde muito cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes fazendo haicais, trocadilhos, ou brincando com ditados populares. Nasceu em 1944, e nos deixou em 1989.


Abaixo, relembro alguns de seus breves e intrigantes poemas, que de tão sutis, me causam bem estar e me tiram sorrisos...






P A U L O L E M I N S K I


Não discuto

com o destino;

O que pintar,


eu assino.



Amor, então,também, acaba?

Não, que eu saiba.


O que eu sei


é que se transforma


numa matéria-prima


que a vida se encarrega

de transformar em raiva;


Ou em rima.



Bom dia, poetas velhos.

Me deixem na boca

o gosto dos versos

mais fortes que não farei.


Dia vai vir que os saiba

tão bem que vos cite


como quem tê-los


um tanto feito também,

acredite.




Nunca cometo o mesmo erro

duas vezes

já cometo duas, três,quatro, cinco, seis

até esse erro aprender

que só o erro tem vez.



Essa minha secura

Essa falta de sentimento

não tem ninguém que segure,vem de dentro.


Vem da zona escura

donde vem o que sinto.

Sinto muito,

sentir é muito lento.



Ontens e hojes, amores e ódio,


adianta consultar o relógio?


Nada poderia ter sido feito,


a não ser o tempo em que foi lógico.


Ninguém nunca chegou atrasado.


Bençãos e desgraças vem sempre no horário.


Tudo o mais é plágio.


Acaso é este encontroentre tempo e espaço


mais do que um sonho que eu conto


ou mais um poema que faço?


Meu cantinho.

Como é bom Leminskiar,
Nada além de copo e bar
Parar para pensar;
Que de nada adianta prosiar,
Com quem não pode captar
O extremo, o bem querer,
O saber, o viver, O ser.

Quando ver,
Já foi.

Ana L. sanchez